Seis anos após tragédia com 42 mortos no AP, donos do Anna Karoline voltam a ser alvo da Justiça  

Erlonav, com sede em Santarém e dona do barco que naufragou em 29 de fevereiro de 2020 próximo ao Rio Jari, é acusada de seguir operando embarcações sem cumprir medidas de segurança

Seis anos depois do naufrágio da embarcação Anna Karoline III, que matou 42 pessoas no Amapá, a empresa Erlonav, que é dona do navio,  volta a ser questionada sobre a segurança do transporte fluvial. 

Apesar da gravidade do acidente no sul do Amapá, a empresa, de acordo com o Ministério Público do Pará (MPPA), não vem cumprindo regras básicas que deveriam ser adotadas para evitar acidentes e proteger a vida dos passageiros. 

A embarcação alvo das investigações em Santarém, é Anna Karoline IV. Um inquérito civil foi instaurado para apurar um incidente ocorrido em 2022, durante uma viagem entre Santarém (PA) e Manaus (AM).

Segundo o MPPA, o Anna Karoline IV continuou a viagem mesmo após apresentar problemas no tanque de combustível. A investigação apontou que houve transferência de óleo diesel para recipientes plásticos, prática considerada irregular.

Erlonav é acusada de transportar combustível de forma inadequada – Foto: MPPA/inquérito

Cerca de 90 passageiros permaneceram mais de 14 horas aguardando uma solução, enfrentando condições precárias de alimentação, higiene, e segurança. Entre eles estavam crianças, idosos e uma pessoa com deficiência. Outra embarcação foi utilizada para concluir o trajeto, mas também apresentou problemas mecânicos, provocando novos atrasos. 

Em liminar concedida na última quarta-feira (16), a justiça do Pará atendeu pedido do MP e determinou que a companhia adote medidas imediatas para evitar tragédias como a que ocorreu com o Anna Karoline III, no Amapá. 

Entre as determinações, a empresa está proibida de operar embarcações que apresentem avarias, defeitos ou qualquer problema que possa colocar em risco a segurança dos passageiros ou da tripulação. 

A decisão também proíbe o uso de soluções improvisadas para armazenamento, transporte ou abastecimento de combustível. Tudo deve ser comprovado por meio de documentos emitidos pelas autoridades marítimas. 

Na ação, o MP apontou que a Erlonav segue um histórico de problemas relacionados à segurança da navegação e à prestação do serviço. Citou o naufrágio do Anna Karoline III, que de acordo com as autoridades, foi uma tragédia anunciada. 

Para o MP, mesmo depois da tragédia no Amapá, a empresa continua fazendo viagens com barcos superlotados, excesso de carga, falhas mecânicas, ocorrência de princípio de incêndio, atrasos e falta de assistência aos passageiros.

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