Operação “Abadon”: guarda municipal e esposa são considerados foragidos

De acordo com as autoridades, ele utilizava o cargo público no Pará como proteção para suas atividades ilícitas

Guarda municipal de Marituba, Pedro Santos, e a esposa, Ana Paula de Souza, são considerados foragidos pelas autoridades
Guarda municipal de Marituba, Pedro Santos, e a esposa, Ana Paula de Souza, são considerados foragidos pelas autoridades

O guarda municipal de Marituba/PA, Pedro de Moares Santos, de 43 anos, apontado como o principal alvo da operação Abandon, realizada nesta terça-feira (31/03) no Amapá, Pará e mais seis estados, é considerado foragido pela justiça.

A operação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa responsável pelo envio e recebimento de entorpecentes em vários estados. As equipes policiais diligenciaram para cumprir 64 mandados de busca e apreensão e 54 mandados de prisão preventiva no Amapá, Pará e em outros cinco estados.

Quem é Pedro Moares dos Santos?

Nosso principal alvo segue foragido. Nossas investigações apontam que ele é integrante da Guarda Municipal do município de Marituba e atua como braço direito de um dos líderes da organização criminosa, atualmente custodiado no sistema prisional, sendo responsável por comercializar entorpecentes em seu nome na região Norte do país”, revelou o delegado Bruno Benassuly, da Ficco/AP.

Tanto o guarda municipal de Marituba, Pedro Santos, como a esposa, Ana Paula de Souza, são considerados foragidos pelas autoridades.

Segundo as investigações o guarda municipal utilizava uma estratégia sofisticada de fracionamento de depósitos financeiros, com o objetivo de dificultar a identificação por parte das autoridades.

Os valores eram distribuídos em pequenas quantias para diversos indivíduos que atuavam como ‘laranjas’ da organização, sendo posteriormente lavados por meio da aquisição de bens de alto valor, como imóveis e veículos de luxo”, relatou o delegado.

De acordo com as autoridades, ele utilizava o cargo público no Pará como proteção para suas atividades ilícitas, chegando a demonstrar desprezo pelas instituições.

Pedro deixou a própria casa pouco antes do cumprimento dos mandados da Operação Abadon. A polícia investiga se houve vazamento da ação.

De acordo com os investigadores, Pedro não apenas participava do esquema, mas ocupava posição de liderança dentro da organização criminosa.

Ele teria movimentado cerca de R$ 40 milhões em contas bancárias ao longo de três anos, utilizando familiares e terceiros como “laranjas” para ocultar a origem dos valores.

Pará

O Pará concentrou parte significativa das ações da operação, sendo identificado como origem do envio de drogas para o estado vizinho. 

Além do tráfico, o grupo atuava na lavagem de dinheiro, utilizando depósitos fracionados, “laranjas” e empresas de fachada para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Um desses operadores financeiros ligados ao grupo chegou a movimentar aproximadamente R$ 5 milhões.

A investigação aponta que o grupo contava com a participação direta de policiais militares e guardas municipais, que atuavam tanto no tráfico quanto na lavagem de dinheiro.

BENS DE ALTO VALOR APREENDIDOS

A operação também avançou sobre o patrimônio dos investigados. Foram determinadas dez suspensões de atividades de pessoas jurídicas, além do sequestro de bens móveis e imóveis, dificultando o rastreamento dos valores pelas autoridades.

Entre os itens atingidos estão veículos blindados, imóveis de alto padrão e ativos financeiros, indicando o alto nível de capitalização da organização. Também foram recolhidos aparelhos eletrônicos, como computadores e celulares, que passarão por perícia para aprofundar as investigações.

FORÇA-TAREFA COM ATUAÇÃO NO ESTADO

A ofensiva é coordenada pelas polícias civis, com apoio das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO), além da participação da Polícia Militar e da Polícia Federal.

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