Carro de Furlan é apontado pela PF como peça-chave em suposto esquema de repasse de propina

Investigação identifica uso de veículo do ex-prefeito no transporte de dinheiro vivo; motorista foi monitorado e documentos apreendidos indicam movimentação superior a R$ 3 milhões

Informações obtidas pelo site CONECTAMAPÁ mostram que Polícia Federal identificou o uso de um veículo de propriedade do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), como parte da engrenagem do suposto esquema de arrecadação e distribuição de recursos oriundos de contratos da obra do Hospital Geral de Macapá.

De acordo com documentos do inquérito analisados da reportagem do CONECTAMAPÁ, o carro – um Fiat Cronos branco – foi utilizado no transporte de valores em espécie que teriam sido repassados por empreiteiros responsáveis pela execução da obra. A propriedade do veículo foi confirmada nos autos da investigação, vinculando diretamente o automóvel ao ex-prefeito .

PF monitorou entrega de dinheiro

As diligências da Polícia Federal revelam que agentes chegaram a acompanhar o trajeto de valores sacados em espécie por empresários ligados à construtora Santa Rita Engenharia.

Após um dos saques, realizado por um dos sócios da empresa, os investigadores identificaram que o dinheiro foi transportado em uma mochila e posteriormente repassado a outro indivíduo, que embarcou no Fiat Cronos ligado a Furlan .

O monitoramento ocorreu no centro de Macapá, após movimentações consideradas suspeitas envolvendo a retirada de grandes quantias em dinheiro diretamente de agência bancária.

Em seguida conforme destacado na Informação de Polícia Judiciária n.103/2025, “A equipe acompanhou o deslocamento do Fiat Cronos por alguns minutos. Contudo, diante da condução em alta velocidade, incluindo o avanço de sinais vermelhos, e visando preservar a discrição da operação e a segurança da equipe, optou-se por encerrar a vigilância naquele momento” relata o inquérito .

Saques e circulação de dinheiro vivo

A investigação aponta que os sócios da construtora passaram a realizar saques frequentes em espécie após o recebimento de recursos públicos da Prefeitura de Macapá.

Entre os episódios documentados, destacam-se um saque de aproximadamente R$ 850 mil em dezembro de 2024; saque de R$ 400 mil em maio de 2025; e dezenas de outras retiradas fracionadas que somam milhões de reais .

Segundo a PF, os valores não retornaram ao sistema bancário nem foram vinculados à execução da obra, o que levanta suspeitas de desvio e ocultação de recursos públicos.

Segunda fase revela depósitos milionários

Na segunda fase da operação, a Polícia Federal avançou sobre o núcleo operacional do esquema e realizou buscas na residência do motorista ligado ao ex-prefeito.

No local, foram apreendidos anotações de comprovantes de depósitos que ultrapassam R$ 3 milhões, tendo como destinatários uma empresa ligada ao ex-prefeito (Instituto do Coração) e outra empresa de propriedade da ex-primeira-dama e pré-candidata ao Senado, Rayssa Furlan.

Os documentos reforçam a suspeita de que o motorista atuava como intermediário na circulação dos valores.

Estrutura do esquema

A investigação aponta para um modelo estruturado que envolveria: direcionamento da licitação da obra do hospital; repasse de recursos públicos à construtora; saques em dinheiro vivo pelos empresários; transporte e redistribuição dos valores com apoio logístico; e posterior destinação a empresas ligadas ao núcleo político investigado .

Impacto político

O caso teve forte repercussão e levou ao afastamento do prefeito de Macapá por decisão judicial, seguido de sua renúncia ao cargo em meio ao avanço das investigações.

Mesmo fora do cargo, Antônio Furlan se mantém como pré-candidato ao governo do Amapá, cenário que tende a intensificar o debate político sobre o caso durante o período eleitoral.

O que dizem os investigadores

A Polícia Federal aponta que há indícios consistentes de utilização de recursos públicos desviados, com uso de dinheiro em espécie e logística estruturada para dificultar o rastreamento dos valores.

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