Governador alega falta de ampla participação da sociedade e discordâncias entre artistas e instituições culturais

O governador do Amapá, Clécio Luís, vetou integralmente o projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa que alterava o nome do tradicional Teatro das Bacabeiras para Teatro das Bacabeiras Amadeu Lobato.
A decisão foi publicada em mensagem encaminhada ao Legislativo e tem como principal justificativa a ausência de um amplo debate com a sociedade e os segmentos ligados à cultura.
A proposta pretendia homenagear o teatrólogo amapaense Amadeu Lobato, reconhecido por sua contribuição às artes cênicas e pela realização do espetáculo “Uma Cruz para Jesus”. No entanto, segundo o governo, a mudança gerou forte repercussão e dividiu opiniões entre artistas, pesquisadores, historiadores e representantes do setor cultural.
Nas razões do veto, Clécio destacou que o Teatro das Bacabeiras possui grande relevância histórica, simbólica e cultural para o estado, o que exige uma discussão mais aprofundada antes de qualquer alteração em sua denominação.
O governador informou que a questão foi submetida ao Conselho Estadual de Política Cultural, que recomendou a realização de consultas públicas, escutas institucionais e diálogos com os segmentos culturais e órgãos de preservação do patrimônio antes de uma decisão definitiva sobre o tema.
A Secretaria de Turismo também se manifestou contrária à mudança, argumentando que a alteração poderia comprometer a identidade consolidada do principal equipamento cultural do estado e abrir precedentes para futuras modificações em patrimônios de forte valor histórico.
Outro posicionamento considerado pelo Executivo foi o do Instituto Memorial Amapá. Em documento enviado ao governo, a entidade defendeu a manutenção do nome atual do teatro, lembrando que a escolha da denominação “Teatro das Bacabeiras” foi resultado de um amplo debate realizado na década de 1990, envolvendo artistas, jornalistas, escritores e historiadores.
Segundo o instituto, o nome foi inspirado na bacaba, fruto que integra a identidade cultural e histórica da região e tem ligação direta com a origem do nome da cidade de Macapá. A entidade argumenta que o teatro foi concebido para representar a memória coletiva do povo amapaense, e não homenagear uma personalidade específica.
Apesar do veto, o governador fez questão de ressaltar que não há qualquer questionamento sobre a importância de Amadeu Lobato para a cultura local. Na mensagem enviada à Assembleia, Clécio afirmou que o artista é merecedor de reconhecimento e gratidão por sua trajetória e contribuição ao desenvolvimento cultural do estado.
Agora, o veto será analisado pelos deputados estaduais, que poderão mantê-lo ou derrubá-lo em votação no plenário da Assembleia Legislativa.








