Operação já interrompeu o acesso de máquinas e garimpeiros aos principais pontos de exploração de ouro na Estação Ecológica do Jari, unidade de conservação entre Amapá e Pará

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) instalou uma barreira de fiscalização no entorno da Estação Ecológica (Esec) do Jari, unidade de conservação federal localizada na divisa entre os estados do Amapá e Pará. A medida integra a Operação Escudo e tem como objetivo impedir o avanço do garimpo ilegal na região.
Segundo o Instituto, a estrutura permanecerá instalada por tempo indeterminado para garantir o controle do acesso à área protegida e combater atividades ambientais ilícitas.
Porto estratégico ocupado
Desde o dia 14 de maio, fiscais do ICMBio, com apoio da Força Nacional, ocuparam a região conhecida como Porto de Itapeuara, considerada um dos principais pontos de entrada para a atividade garimpeira na unidade de conservação.
O local era utilizado para o desembarque de escavadeiras e caminhões de esteira empregados na extração ilegal de ouro. Com a presença das equipes de fiscalização, o trânsito de máquinas e pessoas para as áreas de garimpo foi interrompido.
Proteção de patrimônio natural único

De acordo com a gerente regional da Amazônia do ICMBio, Carla Lessa, a operação busca proteger um dos mais importantes patrimônios ambientais da Amazônia.
“A Estação Ecológica do Jari é uma unidade importantíssima por abrigar as maiores árvores da Amazônia, os angelins-vermelhos, que ultrapassam 80 metros, além de toda a biodiversidade existente na área. Manteremos presença institucional por tempo indeterminado para estancar definitivamente os ilícitos ambientais”, afirmou.
Próxima etapa mira principal base dos garimpeiros
As equipes agora se preparam para ocupar um segundo ponto considerado estratégico: o Porto de Itacará, apontado pelo ICMBio como o principal entreposto utilizado pelos garimpeiros dentro da unidade de conservação.
O acesso ao local ocorre exclusivamente por via fluvial neste período de cheia do Rio Jari, exigindo planejamento logístico e navegação especializada.

Paralelamente, o Instituto divulgou um comunicado orientando os trabalhadores que ainda permanecem na área a deixarem voluntariamente a unidade de conservação. A passagem pela barreira será permitida, desde que não haja transporte de combustíveis ou armas, materiais que serão apreendidos pelas equipes de fiscalização.
Operação conjunta
O combate ao garimpo ilegal na região também contou com a realização da Operação Calha Norte, entre os dias 12 e 14 de maio.
A ação foi coordenada pela Polícia Federal em conjunto com o ICMBio, o Ibama e a Força Nacional, além do apoio da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), da Polícia Militar do Pará e do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp).
O objetivo da operação foi desarticular a atividade garimpeira ilegal na área de fronteira entre os estados do Amapá e Pará, considerada uma das regiões mais sensíveis da Amazônia para a proteção ambiental.







