As investigações apontam que os envolvidos teriam sido responsáveis pela exploração ilegal de minério em larga escala

Um grupo criminoso suspeito de atuar na extração ilegal de cassiterita em garimpos clandestinos, em Macapá, no estado do Amapá (AP), foi alvo da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (18\6). A ação culminou na prisão de seis pessoas.
Os alvos incluem o suposto chefe da organização criminosa, identificado apenas como Jaime. Ele seria responsável por financiar os garimpeiros, coordenar o “esquentamento” do minério e, posteriormente, comercializá-lo com aparência de legalidade. Além disso, também teria a função de lavar dinheiro por meio de laranjas e empresas fantasmas.
A companheira de Jaime, identificada como Monique, também é alvo da investigação. Segundo as apurações, ela seria “laranja” consciente do esquema e proprietária da empresa fantasma Pryhry, que teria sido usada com frequência para movimentar e lavar recursos de Jaime. O casal está foragido.
Outro alvo é Marcelo Rica, sócio da Tratho, apontado como responsável pela compra final da cassiterita ilegal e pela comercialização do minério já beneficiado. Ele foi preso nesta quinta-feira (18/6), e um veículo Porsche em seu nome também foi apreendido.
Já Edegar dos Santos Ribeiro é apontado como contador das principais empresas utilizadas por Jaime para movimentar recursos ilícitos e emitir notas fiscais.
Ronaldo Carlos Maia e Fernando Magno, por sua vez, seriam responsáveis por empresas envolvidas no beneficiamento do minério ilegal enviado pelas empresas fantasmas ligadas a Jaime.
As investigações apontam que eles teriam sido responsáveis pela exploração ilegal de minério em larga escala, utilizando um esquema de ocultação e de dissimulação da origem dos recursos obtidos.
Segundo apurado, os investigados promoviam o chamado esquentamento do minério extraído clandestinamente, totalizando mais de 670 toneladas de cassiterita, mediante o uso de documentação fraudulenta para inserir a produção ilegal no mercado formal.
De acordo com os elementos reunidos durante a investigação, a organização criminosa teria movimentado valores superiores a R$ 200 milhões, causando expressivos prejuízos à ordem econômica e danos ambientais.
O que é cassiterita?
A cassiterita é um dióxido natural e o principal minério do estanho, metal que se tornou muito valorizado quando se intensificou sua aplicação na fabricação de smartphones, tablets e telas de celulares.
Seu nome vem do grego kassiteros, que significa justamente “estanho”. O estanho entra na composição de placas de circuito eletrônico, reveste internamente embalagens de enlatados, além de ter também aplicação na agricultura, como componente de fungicidas.
É encontrada na forma de rocha bruta, geralmente na cor castanha ou preta. Ela costuma ser vendida na forma de um pó concentrado, obtido após o processo de mineração.
Devido ao seu alto valor, o minério é conhecido como “ouro negro”. No mercado internacional, a tonelada do material já superou os US$ 40 mil —cerca de R$ 200 mil.
Apenas nos anos de 2021 e 2022, cerca de 700 mil toneladas de cassiterita foram enviadas para o exterior de forma ilegal, segundo relatório em posse do Ministério Público Federal (MPF). Só a Polícia Rodoviária Federal apreendeu mais de 200 toneladas do mineral procedente da Terra Yanomami, em Roraima, nesse mesmo período.








