Movimento integra mobilização nacional da categoria contra proposta apresentada pelos bancos; no Amapá, sindicato estima adesão de cerca de 90% dos trabalhadores

Bancários do Amapá paralisam as atividades por 24 horas nesta quinta-feira (20) em protesto contra os rumos das negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado do Amapá (Sintraf-AP), a expectativa é de forte adesão ao movimento no estado.
De acordo com Bruna Athayde, presidenta do Sintraf-AP, cerca de 90% dos trabalhadores devem participar da paralisação. O movimento tem caráter de advertência e, inicialmente, está limitado a esta quinta-feira.
A mobilização não ocorre apenas no Amapá. Bancários de diferentes regiões do país aprovaram a paralisação nacional depois de rejeitarem a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nas negociações para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho.
Impasse com os bancos
As negociações da Campanha Nacional começaram no fim de junho e ganharam intensidade nas últimas semanas. Entre as principais reivindicações dos bancários estão reposição da inflação mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial, reajuste dos vales alimentação e refeição, melhoria da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), defesa dos empregos e melhores condições de trabalho.
Um dos principais pontos de conflito surgiu na rodada de negociação de 13 de agosto. A Fenaban apresentou proposta que previa congelamento do piso de ingresso para novos bancários e reajustes diferenciados por faixas salariais. Também foram discutidos valores diferenciados de benefícios conforme a localidade de atuação do trabalhador. As propostas foram rejeitadas pelas entidades sindicais, que argumentaram que as medidas poderiam fragmentar a categoria.
A reação foi nacional. Em Belo Horizonte, por exemplo, 98% dos participantes da assembleia rejeitaram a proposta e 93% aprovaram a paralisação desta quinta-feira.

Bancos recuaram, mas não apresentaram índice
A mobilização provocou mudanças na mesa de negociação. Na terça-feira (18), a Fenaban retirou as propostas de reajuste diferenciado por faixas salariais, congelamento do piso de ingresso e diferenciação dos vales de acordo com a localidade.
Apesar do recuo, os bancos não apresentaram um índice de reajuste salarial, mantendo o impasse. Segundo informações divulgadas pelas entidades sindicais, a paralisação nacional havia sido aprovada por aproximadamente 90% dos bancários participantes das assembleias realizadas pelo país.
Ainda durante a rodada de terça-feira, a Fenaban questionou a manutenção da paralisação e, segundo os sindicatos, condicionou a continuidade das tratativas naquele momento à suspensão do movimento. O Comando Nacional manteve a mobilização.
Atendimento pode ser afetado no Amapá
Com a adesão estimada pelo Sintraf-AP, o atendimento presencial nas agências bancárias do Amapá pode ser afetado ao longo desta quinta-feira. A paralisação nacional é de 24 horas e inclui trabalhadores de bancos públicos e privados que aderirem ao movimento.
Os canais digitais, aplicativos, internet banking e caixas eletrônicos tendem a permanecer disponíveis, mesmo com eventual fechamento ou redução do atendimento presencial nas agências.

Nova negociação na segunda-feira
A paralisação desta quinta-feira funciona como instrumento de pressão para a retomada das negociações. Uma nova rodada entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban está prevista para segunda-feira (24), quando a representação dos bancos deverá apresentar uma proposta global para a categoria.
Até lá, o movimento sindical mantém a mobilização nacional. No Amapá, a paralisação desta quinta-feira deverá servir também como termômetro da disposição da categoria para ampliar o movimento caso não haja avanço nas negociações.








