Guiana Francesa promete endurecer combate ao garimpo ilegal na fronteira com o Amapá

Comunidades das áreas afetadas relatam constantes episódios de violência, furtos, contaminação por mercúrio e degradação de áreas tradicionais de caça e pesca

O governo da Guiana Francesa vai intensificar o combate ao garimpo ilegal nas regiões de fronteira com o Amapá. A decisão foi anunciada pelo prefeito (representante do Estado francês) da Guiana Francesa, após visitas aos municípios de Camopi, Maripasoula, Taluen e Papaïchton.

Durante a agenda, o representante do governo francês se reuniu com autoridades locais, lideranças indígenas, comunidades tradicionais, ribeirinhos e forças de segurança, que relataram o agravamento da violência e da insegurança provocadas pela atuação de garimpeiros ilegais.

O reforço nas operações ocorre após semanas de mobilização em Camopi, onde moradores denunciaram o avanço da mineração clandestina. 

No fim de abril, ribeirinhos chegaram a montar uma barreira naturais no rio Oiapoque para dificultar o abastecimento dos garimpos ilegais, posteriormente desfeita pelas autoridades.

Na região do Alto Maroni, lideranças indígenas também cobraram uma presença mais efetiva do Estado, alegando que as comunidades enfrentam constantes episódios de violência, furtos, contaminação por mercúrio e degradação de áreas tradicionais de caça e pesca.

Como resposta, as autoridades francesas anunciaram a intensificação da Operação Harpie, com a instalação de barreiras fluviais móveis nos principais corredores de navegação utilizados pelos garimpeiros.

As ações são conduzidas pelas Forças Armadas da Guiana Francesa (FAG) e pela Gendarmaria Nacional Francesa. O objetivo é interceptar embarcações que abastecem os garimpos clandestinos, desmontar acampamentos ilegais e destruir equipamentos utilizados na extração de ouro.

A estratégia concentra esforços principalmente nas regiões de Camopi, às margens do rio Oiapoque, e de Maripasoula, Taluen e Papaïchton, na bacia do rio Maroni, onde os cursos d’água são as principais rotas de acesso aos garimpos ilegais.

Além das barreiras fluviais, as forças de segurança também intensificarão as patrulhas em áreas de floresta para enfraquecer a logística que abastece as atividades clandestinas de mineração na região de fronteira.

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