Operação Paroxismo: Celular que empresário tentou esconder pode complicar situação dos investigados

O empresário é o mesmo investigado que aparece em relatórios da PF realizando sucessivos saques em espécie

As investigações da Policia Federal  sobre suposto desvio de recursos das obras do Hospital Geral de Macapá, revelaram um episódio que pode ser considerado de fundamental relevância para o caso: a tentativa de ocultação de um aparelho celular por parte do empresário Rodrigo de Queiroz Moreira, sócio da empresa Santa Rita Engenharia – apontada como beneficiária do contrato milionário investigado – pode revelar ainda mais detalhes do esquema.

O empresário é o mesmo investigado que aparece em relatórios da PF realizando sucessivos saques em espécie que ultrapassam milhões de reais, em movimentações consideradas incompatíveis com a atividade empresarial da construtora contratada pela Prefeitura de Macapá para executar as obras do Hospital Geral Municipal. O caso levou ao afastamento do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan do cargo, e posterior renúncia.

PF aponta tentativa de esconder aparelho celular

De acordo com os autos, em setembro de 2025, no momento do cumprimento dos mandados de busca e apreensão da  Operação Paroxismo, Rodrigo Moreira não estava em casa, mas sim em uma academia localizada em Macapá. Quando os agentes chegaram à residência e solicitaram sua presença, o empresário compareceu sem o telefone celular, alegando inicialmente que teria “esquecido” o aparelho.

A decisão judicial relata que, durante as diligências, o investigado apresentou versões contraditórias sobre o paradeiro do aparelho.

Posteriormente, ele retornou à academia, oportunidade em que confessou aos policiais ter escondido o celular no banheiro do estabelecimento para evitar sua apreensão. Mesmo assim, o aparelho não foi localizado naquele primeiro momento.

Câmeras mostraram movimentação suspeita

No entanto as imagens do videomonitoramento da academia acabaram sendo decisivas para a recuperação do aparelho.

Segundo a Polícia Federal, os registros mostraram Rodrigo Moreira utilizando o elevador às 5h31 da manhã e manuseando o celular logo antes da chegada dos agentes. Após analisar as imagens, os policiais retornaram ao local e encontraram o aparelho escondido dentro de uma caixa utilizada como depósito de materiais diversos.

O relatório afirma que o contexto indica fortemente tentativa deliberada de ocultação do equipamento.

A decisão ressalta ainda que o celular era alvo expresso da ordem judicial, diante da relevância do conteúdo para o aprofundamento das investigações sobre a suposta organização criminosa que atuaria no direcionamento da licitação e no possível desvio de recursos públicos destinados à construção do Hospital Geral de Macapá.

Quebra de senha pode complicar ainda mais investigados

Embora o aparelho tenha sido recuperado, a Polícia Federal informou que, até o momento da elaboração do relatório, ainda não havia sido possível extrair os dados do celular durante o exame pericial inicial.

A expectativa dos investigadores é que a quebra das senhas de acesso permita acessar mensagens, registros bancários, contatos, arquivos, movimentações financeiras e eventuais provas digitais relacionadas ao esquema investigado.

Nos bastidores da investigação, a possibilidade de acesso integral ao conteúdo do aparelho é tratada como um dos pontos mais sensíveis da operação, já que os dados podem revelar novos detalhes sobre pagamentos, circulação de dinheiro em espécie, divisão de valores, comunicação entre investigados e possível participação de outros agentes públicos e privados.

Saques milionários chamaram atenção da PF

A própria decisão do ministro Flávio Dino destaca que Rodrigo Moreira e outro sócio da Santa Rita Engenharia, Fabrizio de Almeida Gonçalves, passaram a realizar sucessivos saques em espécie logo após os repasses financeiros da Prefeitura de Macapá à empresa contratada.

Segundo os relatórios da Polícia Federal, Rodrigo Moreira realizou 42 saques em espécie, totalizando R$ 7.427.800,00 e Fabrizio Gonçalves realizou 17 saques, somando R$ 2.465.000,00.

Os investigadores afirmam que as retiradas ocorriam de forma fracionada, repetitiva e incompatível com a atividade empresarial da construtora.

PF monitorou entrega de mochilas e uso de carro ligado ao ex-prefeito

As investigações também apontam que Rodrigo Moreira teria utilizado mochilas para transporte do dinheiro sacado em espécie.

Em uma das diligências, a PF monitorou um saque de R$ 400 mil realizado pelo empresário em agência do Banco do Brasil, no centro de Macapá. Após deixar o banco com uma mochila preta, Rodrigo foi acompanhado pelos investigadores até um laboratório localizado em área nobre da capital.

Rodrigo de Queiroz Moreira, sócio da empresa Santa Rita Engenharia

Na sequência, um homem deixou o imóvel carregando a mesma mochila e embarcou em um Fiat Cronos branco, veículo que, segundo a PF, está registrado em nome do então prefeito de Macapá, Antônio Furlan.

A decisão judicial aponta que as diligências identificaram indícios de uso da estrutura para transporte e possível redistribuição de valores em espécie ligados aos contratos investigados.

Investigação envolve mais de R$ 128 milhões

O relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) citado na decisão do STF aponta que a Prefeitura de Macapá recebeu mais de R$ 128 milhões em transferências especiais entre 2020 e 2024.

A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude na licitação, lavagem de dinheiro, direcionamento contratual, ocultação patrimonial e desvio de recursos públicos relacionados à obra do Hospital Geral Municipal de Macapá, cujo contrato ultrapassa R$ 69 milhões.

A Santa Rita Engenharia foi apontada pelos investigadores como principal beneficiária do procedimento licitatório investigado.

COMPARTILHE!

Comentários:

Notícias Relacionadas

error: Conteúdo protegido!!