Antes da produção, Petrobras ainda terá de dimensionar a descoberta e confirmar sua viabilidade econômica
O Amapá poderá entrar definitivamente no mapa da produção brasileira de petróleo em até sete anos. A previsão foi feita pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, após a estatal anunciar, nesta sexta-feira (14), a descoberta de petróleo em águas ultraprofundas da Bacia da Foz do Amazonas, na costa amapaense.
Em entrevista exclusiva à GloboNews, Magda demonstrou entusiasmo com os primeiros resultados da perfuração e afirmou que a descoberta representa um avanço importante para que, no futuro, seja confirmada uma reserva comercial de petróleo no Amapá.
“Essa descoberta é absolutamente relevante para os próximos passos e nos deixou a todos muito entusiasmados”, afirmou.
A presidente da Petrobras foi além e apontou a perspectiva de transformar a descoberta em produção.
“Acreditamos de verdade que demos um passo muito importante em prol e na direção de uma descoberta comercial no Amapá, mais à frente.”
A projeção apresentada por Magda é de que, cumpridas as etapas necessárias e confirmada a viabilidade do projeto, a produção em águas ultraprofundas na costa amapaense poderá começar dentro de um horizonte de até sete anos.
Primeiro é preciso saber o tamanho da reserva
Apesar do entusiasmo, ainda existe um longo caminho entre a descoberta anunciada pela Petrobras e a retirada comercial de petróleo.
A companhia ainda precisa determinar o tamanho da reserva encontrada e avaliar se a quantidade e as características do petróleo tornam economicamente viável o desenvolvimento de um projeto de produção.
Magda explicou que somente depois de dimensionada a descoberta será possível definir a estrutura necessária para transformar o campo em produtor.
“Definido esse porte é que a gente parte para definir qual é o projeto de desenvolvimento que nós vamos empreender”, explicou.
Isso significa que a descoberta anunciada nesta sexta-feira não representa o início imediato da exploração comercial. O resultado confirma a presença de petróleo, mas abre uma nova etapa de estudos e avaliações.
De pesquisa para possível produção
A diferença entre as duas fases é fundamental.
Até agora, a Petrobras possui autorização ambiental para realizar perfuração exploratória, cujo objetivo é justamente verificar a existência de petróleo e obter informações sobre o reservatório. A produção comercial constitui uma etapa posterior.
A própria Justiça Federal no Amapá fez essa distinção em recente sentença envolvendo o licenciamento do Bloco FZA-M-59. A decisão ressaltou que a atual licença se refere à pesquisa da existência de reservas e que uma eventual fase de produção exige outras etapas de avaliação e novos licenciamentos ambientais.
Com o resultado anunciado pela Petrobras, a discussão deixa de estar concentrada apenas na pergunta sobre a existência ou não de petróleo na região e passa para uma questão decisiva: qual é o tamanho da descoberta e ela poderá ser comercialmente explorada?

Sete anos para transformar descoberta em produção
O prazo mencionado por Magda Chambriard oferece, pela primeira vez após a descoberta, uma referência de quando o petróleo encontrado na costa amapaense poderá efetivamente começar a ser produzido.
Caso as avaliações confirmem uma descoberta comercial, a Petrobras terá de elaborar o projeto de desenvolvimento, definir plataformas e demais estruturas necessárias, avançar nos procedimentos regulatórios e obter as licenças ambientais correspondentes às próximas fases.
É justamente a complexidade desse processo que explica o intervalo de vários anos entre encontrar petróleo e começar a produzi-lo.
O horizonte de até sete anos também coloca o Amapá diante de uma janela para preparar infraestrutura, mão de obra e serviços capazes de atender uma eventual nova cadeia econômica ligada ao petróleo e gás.
Descoberta pode ter importância estratégica para o Brasil
Para a presidente da Petrobras, o resultado obtido na costa do Amapá não deve ser analisado apenas sob a perspectiva regional.
Magda Chambriard considera que novas descobertas são importantes para a manutenção da posição brasileira no mercado internacional de petróleo durante a próxima década.
“[A descoberta] representa a manutenção do Brasil como um polo geopoliticamente importante no mundo do petróleo na próxima década como um todo.”
A declaração reforça a aposta da Petrobras na Margem Equatorial como uma nova fronteira exploratória capaz de contribuir para a reposição das reservas brasileiras à medida que campos atualmente em produção avancem em seu ciclo de maturação.

Amapá começa a olhar para uma nova etapa
O anúncio da descoberta já havia sido comemorado pelo governador Clécio Luís e pelos senadores Davi Alcolumbre e Randolfe Rodrigues, que apontaram a possibilidade de transformar uma eventual produção de petróleo em empregos, renda e desenvolvimento econômico para o estado.
Agora, a declaração da presidente da Petrobras acrescenta um dado fundamental a essa perspectiva: se os estudos confirmarem uma reserva comercial e o projeto superar as etapas técnicas, econômicas, regulatórias e ambientais necessárias, o Amapá poderá estar produzindo petróleo em águas ultraprofundas dentro de até sete anos.
Até lá, a dimensão da descoberta será determinante.
A Petrobras precisa descobrir quanto petróleo existe no reservatório, avaliar sua qualidade, calcular os investimentos necessários e comprovar que sua produção é economicamente viável. Somente a partir dessas respostas será possível transformar a descoberta anunciada na costa amapaense em um projeto efetivo de produção.
Para o Amapá, entretanto, a perspectiva apresentada por Magda Chambriard estabelece um novo horizonte: pela primeira vez, a possibilidade de produção de petróleo na costa do estado passa a ser discutida não apenas como hipótese, mas com uma estimativa concreta de prazo para que possa se tornar realidade.








