Republicanos oficializa candidato à Assembleia do Amapá com mandado de prisão em aberto

Marcos Paulo Bertolo teve prisão preventiva decretada em julho e é investigado por suposta inserção de dados falsos em sistema fundiário; partido afirma que desconhecia a situação e abriu apuração interna

O Republicanos oficializou no Amapá a candidatura de Marcos Paulo Bertolo a deputado estadual mesmo existindo contra ele um mandado de prisão preventiva em aberto. A informação ganhou repercussão nacional nesta quinta-feira (13), após reportagem publicada pela Revista Oeste.

Segundo a publicação, a prisão preventiva foi decretada em 13 de julho pela 3ª Vara Criminal e de Auditoria Militar de Macapá, no âmbito de uma investigação que apura a suposta inserção de informações falsas em sistema utilizado na regularização de terras pertencentes à União.

Apesar da ordem judicial, Bertolo teve a candidatura aprovada na convenção do Republicanos realizada no dia 4 de agosto. Seu nome consta na ata partidária encaminhada à Justiça Eleitoral. O mandado de prisão, por sua vez, está registrado no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões.

Justiça aponta que candidato não foi localizado

O processo que deu origem ao mandado tramita sob sigilo. Conforme a reportagem, parte da decisão da juíza Alana Coelho Pedrosa aponta a existência de elementos indicativos da materialidade do crime e de indícios de autoria, a partir das informações reunidas na investigação policial.

A magistrada registrou ainda que Bertolo não teria sido localizado apesar das tentativas realizadas pelas autoridades. Na avaliação exposta na decisão, a circunstância levantaria suspeita de evasão e poderia criar obstáculos à instrução do processo.

A investigação apura se Bertolo teria inserido informações falsas no Sistema de Gestão Fundiária (Sigef) com a finalidade de fazer constar como particulares áreas pertencentes à União. Entre os locais mencionados estão áreas situadas na Floresta Estadual do Amapá.

Nome já apareceu em outras operações

O episódio não é o primeiro envolvendo Marcos Paulo Bertolo em investigações relacionadas à questão fundiária.

De acordo com a Revista Oeste, ele já foi denunciado em diferentes ações penais sob suspeita de integrar e comandar uma organização criminosa composta por servidores públicos e particulares que atuaria na falsificação de procedimentos destinados à regularização de terras da União.

Bertolo foi preso em 2018, durante a Operação Terras Caídas, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraudes envolvendo ocupação e regularização fundiária. Seu nome também apareceu nas operações Miríade, relacionada a investigações sobre grilagem de terras, e Conluio, que apurou suspeitas de fraudes em licitações de órgãos públicos.

Segundo as investigações citadas pela reportagem, a atuação de Bertolo como engenheiro agrimensor e responsável técnico credenciado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) teria proporcionado acesso a sistemas e bancos de dados oficiais utilizados em procedimentos fundiários.

Republicanos diz que desconhecia mandado

Após a repercussão do caso, o Republicanos informou que não tinha conhecimento prévio da situação judicial de Bertolo e anunciou a abertura de uma apuração interna.

Segundo a manifestação partidária reproduzida pela imprensa, no momento da apresentação da candidatura as certidões e documentos entregues pelo candidato estavam considerados aptos e não havia, de acordo com o partido, informação que impedisse sua indicação durante a convenção.

O diretório estadual sustentou ainda que, com base na documentação disponível, não havia sido identificada condenação que provocasse inelegibilidade ou impedisse a candidatura.

A existência de um mandado de prisão preventiva, por si só, não equivale a uma condenação criminal definitiva. A situação eleitoral de Bertolo, portanto, deverá ser analisada pela Justiça Eleitoral a partir do pedido de registro e de eventuais questionamentos apresentados durante o processo.

O caso coloca a candidatura do Republicanos no centro do debate eleitoral no Amapá justamente no início da disputa de 2026, ao revelar a situação incomum de um candidato oficialmente escolhido em convenção partidária enquanto permanece com ordem judicial de prisão em aberto.

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