Investigação da Polícia Federal descreve atuação coordenada em grupos de WhatsApp, uso de inteligência artificial contra Clécio, Pedro DaLua, Davi Alcolumbre e Teles Júnior

A Polícia Federal detalhou, em inquérito encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE/AP), a existência de uma suposta estrutura organizada voltada à produção e disseminação de conteúdos políticos ofensivos, difamatórios e estrategicamente direcionados contra adversários do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB).
Segundo a investigação, o grupo atuava por meio de páginas em redes sociais, portais de notícias, grupos de WhatsApp e conteúdos produzidos com uso aparente de inteligência artificial. A PF sustenta que o principal beneficiado pela atuação do núcleo seria o próprio ex-prefeito Antônio Furlan e seu grupo político.
O procedimento tramita sob sigilo no TRE/AP e envolve pedidos de prisão temporária e medidas de busca e apreensão. Entre os investigados citados na representação estão Antônio Furlan, Sandro Sabino e outros.
Como funcionava o grupo, segundo a PF
De acordo com a Polícia Federal, a estrutura atuava de forma organizada, com definição de pautas, criação de cards, produção de textos, distribuição de conteúdos e direcionamento de ataques políticos.
A investigação identificou diversos grupos de WhatsApp usados para organizar a produção do material político.
Um dos grupos analisados foi denominado “Base de produção”, apontado como núcleo de elaboração de conteúdos e coordenação de campanhas digitais.
Outro grupo identificado foi o “Redes — Portal 1Norte”, número 120363401956119016, que, segundo a PF, funcionava como espaço interno de produção editorial do portal.
A PF afirma que a coordenação estratégica do grupo era exercida por Juarez Pantoja Menescal de Sousa, ex-secretário de Comunicação da prefeitura de Macapá, enquanto Felipe Paixão seria responsável pela coordenação da produção diária e validação dos conteúdos antes da publicação.

Quem são os investigados e qual seria a atuação de cada um
Antônio Furlan
Segundo a PF, Furlan aparece como principal beneficiado pela atuação do grupo. A investigação sustenta que os conteúdos produzidos tinham como alvo adversários políticos do ex-prefeito e, em contrapartida, promoviam sua imagem e a da ex-primeira-dama Rayssa Furlan.
O relatório aponta que os vídeos produzidos com inteligência artificial promoviam conteúdos elogiosos a Furlan, identificado em uma das animações como “Dr. Bananudo”, enquanto Rayssa Furlan aparecia como “Rayssete”.
Juarez Menescal
A PF aponta Juarez Menescal como um dos principais coordenadores da estrutura digital investigada. Ele aparece, segundo o relatório, como responsável pela definição das diretrizes editoriais estratégicas do grupo “Redes — Portal 1Norte”.
A investigação também sustenta existirem indícios de que o Portal 1Norte pertenceria de fato a Juarez Menescal.
Mensagens reproduzidas pela PF mostram Juarez orientando produção de conteúdos contra adversários políticos, sugerindo pautas, aprovando materiais e coordenando disseminação em grupos e páginas.
Felipe Paixão
Felipe Paixão é descrito pela PF como coordenador operacional da produção diária de conteúdo. As mensagens atribuídas a ele mostram sugestões de pautas, direcionamento de ataques políticos e definição de temas para postagens.
Em uma das conversas, Felipe sugere associar o governador Clécio Luís ao termo “Calotécio” e listar locais supostamente afetados por inadimplência do governo estadual.
Sandro Sabino
Sandro Sabino Pinto também aparece entre os investigados no procedimento judicial. Mensagens atribuídas a Sandro mostram compartilhamento de vídeos e conteúdos relacionados ao governador Clécio Luís, inclusive sugestões de utilização de materiais considerados negativos pela investigação.
Os alvos dos ataques
A investigação aponta que os conteúdos eram direcionados principalmente contra:
- ogovernador Clécio Luís;
- vice-governador Teles Júnior;
- prefeito interino Pedro DaLua;
- senador Davi Alcolumbre.
Segundo a PF, os conteúdos buscavam desgastar politicamente os adversários do grupo ligado ao ex-prefeito de Macapá.
“Calotécio”, “Chuclécio” e ataques com IA
O relatório descreve o uso recorrente de caricaturas, memes e conteúdos produzidos com aparente uso de inteligência artificial.
O governador Clécio Luís foi associado aos apelidos “Calotécio” e “Chuclécio”, em conteúdos considerados pejorativos pela investigação.
Já o senador Davi Alcolumbre foi retratado como “Abacavi”, identificado como “chefe” em uma das animações.
Pedro DaLua apareceu como “Dacuaçu”.
A PF afirma que o perfil “Programa Potoca” foi um dos primeiros a divulgar conteúdos produzidos com uso aparente de IA, em parceria com páginas como “Ispia Amapá”, “Me Solta Amapá”, “Weltão News”, “Portal Conta Tudo” e “SOEDITV”.

O que a PF diz sobre a conduta do grupo
Segundo o relatório policial, o modus operandi identificado consistia na produção coordenada de conteúdos; disseminação de ataques contra adversários políticos; utilização de portais e páginas para amplificação de narrativas; uso de inteligência artificial para caricaturas e animações; direcionamento editorial com pautas previamente definidas; e tentativa de interferência no ambiente político-eleitoral.
A PF sustenta que havia clara orientação política na produção dos conteúdos, com atuação sistemática voltada ao desgaste de adversários e fortalecimento da imagem do grupo político ligado ao ex-prefeito Antônio Furlan.
Pedidos feitos pela Polícia Federal
O procedimento judicial analisado pelo TRE/AP envolve pedidos de prisão temporária; busca e apreensão; medidas cautelares relacionadas aos investigados. Os pedidos foram formulados pela Polícia Federal no âmbito de Operação Palanque Digital.
Entenda o caso
A investigação ocorre em meio ao acirramento político no Amapá após as operações que atingiram a gestão do ex-prefeito Antônio Furlan, afastado anteriormente por decisão do Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Paroxismo.
O novo inquérito amplia o foco para atuação digital e suposta utilização coordenada de redes sociais, portais e conteúdos manipulados para interferência política e eleitoral no estado.








