Após uma década de portas fechadas, complexo de 9 mil m² ganha cara nova e expõe de avião histórico a vagões de minério para resgatar os ciclos econômicos do Amapá

Quem caminha pelo Centro de Macapá, perto da orla da cidade, já nota a movimentação diferente na Rua Cândido Mendes. O motivo é a entrega do Parque Residência, que abre as portas ao público nesta sexta-feira, 29.
Mais do que uma simples obra de revitalização, o espaço de 9 mil metros quadrados, onde funcionava a antiga casa dos governadores do Amapá, foi transformado em um complexo cultural e turístico projetado para contar a história local de um jeito interativo.

O projeto, que estava desativado há cerca de dez anos, foi reformulado para conectar o passado e o futuro do estado. “Queremos aguçar a criatividade, a imaginação e o sentimento de pertencimento e amor pelo Amapá”, destacou o governador Clécio Luís sobre o resgate do complexo, que promete virar o novo cartão-postal da capital.
Uma viagem no tempo em seis salas
O coração do Parque Residência bate no formato de experiência imersiva. O público terá acesso a seis salas de exposições que narram a trajetória amapaense desde a década de 1940 até os dias atuais.

O grande diferencial do projeto está na exposição a céu aberto de verdadeiras relíquias que movimentaram o desenvolvimento da região:
- O “Bandeirante” voltou: Um dos maiores destaques é o avião Embraer EMB 110 Bandeirante. A aeronave, que realizou mais de 200 missões oficiais entre os anos 80 e 90, virou atração antes mesmo da abertura do parque, quando cruzou as ruas de Macapá em um translado que atraiu a atenção de moradores e estudantes.
- Trilhos da memória: Ao lado do avião, uma locomotiva e vagões de passageiros e de minério ajudam a ilustrar os ciclos econômicos que moldaram a sociedade local.
Saber ancestral: O parque reserva uma ala exclusiva para os “Mestres dos Saberes”, homenageando tradições como a carpintaria naval do Elesbão — uma técnica de construção de barcos que atravessa gerações nas comunidades ribeirinhas.
Cultura, lazer e economia criativa
Além do resgate histórico, o Parque Residência foi pensado como um ponto de encontro para o amapaense. A estrutura conta com um anfiteatro para apresentações artísticas, galeria de arte e uma praça de alimentação.

O espaço também abre as portas para o futuro econômico da cidade com áreas dedicadas ao empreendedorismo, onde produtores e artistas locais poderão expor e comercializar seus trabalhos. Com a inauguração, o Amapá não apenas recupera um patrimônio que estava esquecido, mas cria um ponto de parada obrigatório para moradores e turistas que queiram entender a fundo a essência do povo Tucuju.








