Presidente avalia entrar diretamente na campanha do governador amapaense, aliado de Davi Alcolumbre. Apoio poderá ocorrer por vídeo ou até com participação de Lula no estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá anunciar apoio à reeleição do governador do Amapá, Clécio Luís (União Brasil). A possibilidade está sendo discutida pelo presidente e faz parte das articulações políticas decorrentes da reaproximação do Palácio do Planalto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que revelou nesta quinta-feira (13) que Lula considera apoiar publicamente a candidatura de Clécio, um dos principais aliados políticos de Alcolumbre no Amapá.
Segundo a Folha, o assunto já havia sido discutido anteriormente entre Lula e Alcolumbre. A avaliação nos bastidores é de que uma manifestação explícita do presidente da República poderia fortalecer a campanha de Clécio na disputa pelo Palácio do Setentrião.
Apoio pode ser gravado em vídeo
Entre as possibilidades avaliadas está a gravação de um vídeo de Lula declarando apoio e pedindo votos para Clécio. Outra alternativa seria uma participação presencial do presidente na campanha eleitoral no Amapá.
A Folha informa, porém, que uma viagem de Lula ao estado é considerada menos provável neste momento, embora a possibilidade não esteja totalmente descartada.
Caso a articulação avance, será a entrada direta do presidente da República na campanha pela reeleição do governador amapaense, mesmo Clécio sendo filiado ao União Brasil.
A aproximação eleitoral já possui outros pontos de convergência. Em julho, as federações Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, e PSOL/Rede, juntamente com o PDT, formalizaram no Amapá apoio à reeleição de Lula. O grupo também está inserido na composição política estadual.
Alcolumbre e Lula retomam diálogo

A discussão sobre o apoio a Clécio acontece em meio à retomada das relações políticas entre Lula e Davi Alcolumbre.
Os dois tiveram encontros recentes para discutir a pauta do governo no Congresso. Entre os assuntos de interesse do Palácio do Planalto estão propostas como o fim da escala de trabalho 6×1, a PEC da Segurança Pública e projetos relacionados aos minerais críticos.
O apoio de Lula a Clécio é visto também dentro dessa recomposição política entre Planalto e Senado.
Nesta semana, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, deu uma demonstração pública dessa aproximação. Segundo ele, Alcolumbre está alinhado com a reeleição de Lula e com o palanque governista montado no Amapá.
Guimarães citou expressamente a chapa de reeleição do governador e a candidatura do senador Randolfe Rodrigues (PT), afirmando que Alcolumbre está sintonizado com o projeto eleitoral de Lula no estado.
Clécio tenta reduzir vantagem de Furlan
Uma eventual entrada de Lula na campanha ocorre em um momento estratégico da disputa estadual.
Clécio enfrenta como principal adversário o ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan (PSD), que aparece à frente do governador nas pesquisas eleitorais citadas pela Folha. A avaliação apresentada pela coluna é justamente de que o peso eleitoral do presidente poderia ajudar Clécio a melhorar seu desempenho.
O cenário transforma o Amapá em uma peça importante das articulações nacionais. De um lado está Clécio, apoiado por Alcolumbre e por uma ampla composição partidária; do outro, Furlan tenta consolidar a vantagem apontada pelas pesquisas.
Apoio ainda não foi oficializado
Apesar das articulações, Lula ainda não anunciou oficialmente apoio à candidatura de Clécio. Neste momento, o que existe é uma discussão dentro da estratégia política do presidente e de seus aliados.
Caso seja confirmado, porém, o movimento poderá redesenhar a campanha estadual, colocando Lula diretamente no palanque de Clécio e consolidando uma aliança eleitoral que reúne, no Amapá, grupos que nacionalmente estão em campos partidários distintos.
A decisão também poderá reforçar a composição que já aproxima Clécio Luís, Davi Alcolumbre, Randolfe Rodrigues e o grupo político do presidente Lula na eleição de 2026.
Fonte principal: Painel — Folha de S.Paulo.








