Prescrição extingue ação penal contra juiz aposentado por ameaça e invasão de domicílio

Com mais de 70 anos de idade, Saloé Ferreira foi beneficiado pela redução do tempo de prescrição, reconhecida de ofício pelo juiz da Vara de Violência Doméstica

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Amapá (MP-AP), no dia 11 de agosto de 2023, o juiz aposentado Saloé Ferreira, teria tentado invadir a residência da sua ex-mulher, chegando a derrubar o portão. Em outro momento, ele teria feito ameaças, por meio da filha do casal, apontando uma arma para a menina e afirmando que “a arma era para a mãe”. Ainda segundo o MP, Saloé teria enviado mensagem ao irmão da vítima dizendo que iria “fazer uma besteira”. Na época, Saloé chegou a ser conduzido para a delegacia. 

No decorrer do processo, ele negou categoricamente as acusações de ter apontado uma arma para a filha e de ter ameaçado sua ex-esposa, disse que não tentou invadir a casa dela. Saloé classificou tais afirmações como “inverídicas”, destacando que, após uma carreira de promotor e juiz, só faria algo assim se estivesse “louco”.

Ao analisar o caso, o juiz Zeeber Lopes Ferreira, da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca de Macapá, reconheceu de ofício a prescrição punitiva de Saloé Ferreira e determinou a extinção do processo. 

O magistrado explicou que os crimes de ameaça e invasão de domicílio na forma tentada, têm penas máximas, respectivamente, de 6 meses e 3 meses de detenção, e que a prescrição punitiva é regulada pelo prazo de três anos.

Considerou que o acusado tem mais de 70 anos, o que determina a diminuição pela metade dos prazos prescricionais, reduzindo o tempo para 1 ano e 6 meses.

Pontuou que a denúncia foi recebida em 10 de outubro de 2023 e que até agora o caso não foi julgado, tendo ultrapassado o prazo de 1 ano e 6 meses entre o recebimento da denúncia e a presente data, “o que impõe o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva estatal, na modalidade retroativa”, conclui a decisão que manda arquivar o processo.

Quando em atividade, Saloé atuou por mais de 20 anos na Comarca de Mazagão.

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