Amapá recebeu o quarto maior volume de investimentos chineses no Brasil em 2025

Em destaque, a petroleira CNPC adquiriu, em parceria com a americana Chevron, nove blocos em leilão da ANP, todos localizados na Foz do Amazonas

Governador Clécio Luís durante audiência com delegação de empresários chineses no Palácio do Setentrião em 2025

Os investimentos chineses no Brasil somaram US$ 6,1 bilhões no ano passado, segundo levantamento apresentado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O montante representa um aumento de 45% em relação a 2024 e é o maior valor registrado em sete anos.

Os investimentos chineses abrangeram 20 Estados brasileiros em 2025 — seis a mais do que em 2024 e o maior número registrado desde o início da série histórica. O estudo revelou que São Paulo liderou, com 17 projetos, seguido por Minas Gerais e Pará (cada um com 10) e Amapá (9).

Em termos regionais, o CEBC detectou que a Região Sudeste manteve-se liderando a atração de projetos chineses no Brasil, com 32,5% de participação em 2025, seguida pelo Norte, com 26,7% – sua melhor posição na série histórica. O Centro-Oeste e o Sul tiveram fatias de 14% cada, enquanto o Nordeste ficou com 12,8%.

CRESCIMENTO

O CEBC salientou que o crescimento desses aportes foi muito superior ao desempenho geral dos investimentos estrangeiros, que avançaram 4,8% em 2025, atingindo US$ 77,7 bilhões. Também é muito superior à elevação dos recursos chineses depositados no mundo, que cresceram 1,3% (US$ 145,7 bilhões).

Dessa forma, o Brasil foi o país que mais atraiu investimentos chineses no mundo em 2025, com participação de 10,9% do valor investido. Na sequência ficaram Estados Unidos (6,8%), Guiana (5,7%), Indonésia (5,4%) e Cazaquistão (4,4%). Nos últimos cinco anos, conforme o trabalho, o Brasil alternou entre a primeira e a quinta posições entre as nações que mais atraíram investimentos chineses no globo, alcançando a liderança não apenas em 2025, mas também em 2021.

A área de mineração também merece destaque, já que recebeu investimentos de US$ 1,76 bilhão — mais que o triplo do valor registrado em 2024 e o maior valor desde 2011. O montante equivale a 29% do valor investido pela China no País em 2025, alçando o setor ao segundo lugar, com diferença de apenas 0,5 ponto porcentual em relação ao segmento de eletricidade. O porcentual de participação da mineração foi o maior registrado pelo setor desde o início da série histórica do CEBC, em 2007.

Vice-governador Teles Júnior e governador Clácio durante encontro com investidores no Amapá

O setor automotivo ficou em terceiro lugar e respondeu por 15,8% do valor investido pelas empresas chinesas no Brasil em 2025, com aportes que somaram US$ 965 milhões — cifra 66% maior do que a registrada em 2024. Já os aportes no setor de petróleo chegaram a US$ 804 milhões no ano passado — uma queda de 24% ante o ano anterior. Ainda assim, o setor absorveu 13,3% do total investido pela China no Brasil, ficando em quarto lugar. Em destaque, a petroleira CNPC adquiriu, em parceria com a americana Chevron, nove blocos em leilão da ANP, todos localizados na Foz do Amazonas, às margens dos Estados do Pará e do Amapá.

Se for considerado o número de projetos, e não os valores investidos, o segmento de eletricidade também é líder — só que de forma isolada —, com 51,9% do total de 52 empreendimentos. O de petróleo aparece em segundo lugar, com participação de 19,2%, seguido pela área automotiva (9,6%) e pelos setores de mineração (5,8%), fabricação de equipamentos elétricos (5,8%), tecnologia da Informação (3,8%), obras de infraestrutura (1,9%) e fabricação de eletrônicos (1,9%).

Ação de governo

Em fevereiro um grupo empresarial asiático mostrou para a equipe de governo do estado interesse em investir nas áreas de infraestrutura e indústria do Estado.

Uma comissão liderada pelo presidente da Câmara Comercial e de Relações Econômicas e Culturais Brasil-China, Shie Chun Kuang, esteve reunida com membros do Governo do Estado para explicar de que forma esses investimentos poderiam ser feitos no Estado. O que chama a atenção dos asiáticos é o setor mineral e a construção de rodovias, ferrovias e portos no Estado.

A empresa China Railway Construction Corporation Limited (CRCC) é um dos maiores grupos de construção mundial, voltada principalmente para projetos de infraestrutura logística incluindo portos, aeroportos, ferrovias e rodovias, conservação de água, instalação de energia hidrelétrica e construção industrial em mais de 50 países. 

Shie Chun Kuang disse que o grupo tem o Brasil como um país prioritário na sua estratégia de expansão internacional. Em janeiro, a CRCC assinou um protocolo de intenções com o Pará. “A empresa está olhando todas as oportunidades do país, e agora foca no Amapá. Temos interesse em trazer indústrias para o Estado”, adiantou Kuang.

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