Amapá registrou redução nos casos de feminicídios entre 2023 e 2024, mas casos recentes apontam cenário preocupante

Levantamento divulgado pelo Atlas da Violência mostra que estados da Amazônia continuam entre os mais afetados pela violência letal contra mulheres

Ato contra o feminicídio em Macapá (Foto: Rudja Santos/Amazônia Real)

Os estados da Região Norte continuam figurando entre os locais mais violentos do país para as mulheres. Dados divulgados pelo Atlas da Violência 2026, produzidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revelam que a região concentra algumas das mais elevadas taxas de homicídios femininos do Brasil.

Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, Roraima aparece como o estado com a maior taxa de assassinatos de mulheres do país, registrando 12,6 mortes para cada 100 mil mulheres em 2024. Apesar de ter contabilizado 40 homicídios femininos em números absolutos, o estado lidera o ranking nacional devido à sua população reduzida.

O estudo aponta ainda que Ceará, Rondônia, Bahia e Pernambuco completam o grupo dos estados com as maiores taxas de homicídios de mulheres no Brasil. Já São Paulo apresentou a menor taxa nacional, com 1,5 morte por 100 mil mulheres.

Números no Amapá

Ao todo, 19 das 27 unidades federativas registraram queda no número de mortes de mulheres em comparação a 2023: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Em 2024 foram registrados 10 casos de feminicídios no Amapá. De acordo com os dados do Atlas da Violência houve uma redução de 33,3% em comparação ao ano anterior.

Embora o Amapá não apareça entre os cinco estados com as maiores taxas de homicídios femininos, o cenário continua preocupante diante dos históricos indicadores de violência registrados na região Norte.

A situação ganha ainda mais relevância diante do crescimento dos casos de violência contra mulheres registrados nos últimos anos e da sucessão de feminicídios que vêm chamando atenção no estado.

Nos últimos meses, casos registrados em Macapá, Santana, Porto Grande e em comunidades do interior voltaram a expor a vulnerabilidade de mulheres vítimas de violência doméstica e de gênero, reforçando o debate sobre a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de prevenção, proteção e acolhimento.

Casos registrados em Macapá, Santana, Porto Grande e em comunidades do interior voltaram a expor a vulnerabilidade de mulheres

Brasil registra 3.642 mulheres assassinadas

De acordo com os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 3.642 homicídios de mulheres em 2024. O número corresponde a uma taxa nacional de 3,4 mortes para cada 100 mil mulheres.

O Atlas da Violência destaca que as regiões Norte e Nordeste continuam concentrando os maiores índices de assassinatos femininos do país, evidenciando desigualdades históricas relacionadas à violência, vulnerabilidade social e dificuldades de acesso às redes de proteção.

Desafio para políticas públicas

Especialistas apontam que o enfrentamento da violência contra mulheres exige ações integradas envolvendo segurança pública, assistência social, educação, saúde e justiça.

Além da repressão aos crimes, o fortalecimento de delegacias especializadas, casas de acolhimento, programas de proteção e campanhas permanentes de conscientização são considerados fundamentais para reduzir os índices de violência letal feminina.

Os números divulgados pelo Atlas da Violência reforçam que, apesar de oscilações nos indicadores nacionais, o assassinato de mulheres continua sendo um dos principais desafios sociais e de segurança pública do país, especialmente nos estados da Amazônia Legal.

COMPARTILHE!

Comentários:

Notícias Relacionadas

error: Conteúdo protegido!!