Corrupção: sócios da empresa Santa Rita fizeram saques “na boca do caixa” que somam R$ 9,8 milhões

Saques milionários em dinheiro vivo ligam construtora do hospital de Macapá a esquema investigado pela PF

A investigação da Polícia Federal sobre o suposto esquema de desvio de recursos nas obras do Hospital Geral de Macapá revelou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade empresarial da construtora responsável pelo contrato. Entre os episódios mais emblemáticos estão dois saques de grande valor realizados diretamente “na boca do caixa”, em dinheiro vivo, pelos sócios da empresa Santa Rita Engenharia, RODRIGO DE QUEIROZ MOREIRA e FABRIZIO DE ALMEIDA GONÇALVES.

De acordo com os autos do inquérito RODRIGO MOREIRA realizou, no dia 23 de dezembro de 2024, um saque em espécie no valor de aproximadamente R$ 850 mil, operação que chamou a atenção pelo volume de dinheiro retirado fisicamente na agência bancária .

Imagens obtidas pela PF mostram servidor do Banco do Brasil retirando da gaveta ao seu lado uma enorme quantidade de maços de dinheiro, formando cerca de 03 fileiras com incontáveis notas de R$ 50,00 e R$ 100,00

Já em 23 de maio de 2025, outro saque relevante foi identificado, desta vez no valor de R$ 400 mil, também realizado diretamente na conta da construtora, em agência localizada no centro de Macapá .

Saques ocorreram após repasses públicos

A Polícia Federal destaca que a cronologia das movimentações financeiras revela um padrão: os saques em espécie ocorreram logo após a liberação de recursos públicos pela Prefeitura de Macapá no âmbito do contrato das obras do hospital. O caso levou ao afastamento pelo STF do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, e posterior renúncia ao cargo.

Segundo o relatório, os valores sacados não retornaram ao sistema bancário e tampouco foram identificados como utilizados em pagamentos vinculados à execução da obra, o que reforça a suspeita de desvio e ocultação de recursos .

Além dos dois saques de maior impacto, a investigação identificou uma série de operações semelhantes. Foram contabilizados, no período entre janeiro de 2023 e setembro de 2024 quarenta e dois saques realizados por RODRIGO DE QUEIROZ MOREIRA, somando mais de R$ 7,4 milhões e 17 saques por FABRIZIO DE ALMEIDA GONÇALVES, totalizando cerca de R$ 2,4 milhões. Trata-se de movimentações frequentes, fracionadas e em dinheiro vivo .

Para os investigadores, esse padrão é típico de práticas utilizadas para dificultar o rastreamento de recursos e ocultar a destinação final do dinheiro.

Em um dos epsódios o investigado deixou a agência bancária carregando uma mochila. Em seguida, foi observado um deslocamento até um imóvel no centro da cidade, onde houve possível redistribuição dos valores.

Em em 23 de maio de 2025, Rodrigo sacou R$ 400.000,00 na boca do caixa

Esquema

Os saques fazem parte de um conjunto de evidências reunidas pela Polícia Federal que indicam a existência de um esquema estruturado envolvendo fraude à licitação, desvio de recursos públicos, pagamento de propinas e lavagem de dinheiro.

A obra do Hospital Geral de Macapá, orçada em mais de R$ 69 milhões, foi financiada com recursos federais repassados ao município.

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