Estudo foi realizado entre 2022 e 2025 nas ilhas de Cotijuba, Combu, Outeiro e Mosqueiro; mais de 1,1 mil idosos foram entrevistados

A utilização frequente e inadequada de inseticidas domésticos pode estar contribuindo para o aumento do risco de desenvolvimento da doença de Parkinson entre moradores de áreas vulneráveis da Região Metropolitana de Belém.
O alerta é resultado de um estudo epidemiológico conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), que identificou a exposição constante a esses produtos como um dos principais fatores de risco associados à doença.
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A pesquisa foi realizada entre 2022 e 2025 nas ilhas de Cotijuba, Combu, Outeiro e Mosqueiro, onde 1.163 idosos com mais de 60 anos foram entrevistados em suas residências.
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O levantamento integra o Estudo Epidemiológico da Doença de Parkinson Prodrômica e Estabelecida no Brasil (PROBE-PD), iniciativa internacional financiada pela Michael J. Fox Foundation for Parkinson Research, que investiga a ocorrência da doença em populações vulneráveis de diferentes regiões do mundo.
No Pará, o estudo é coordenado pelos professores da UFPA Bruno Lopes Santos Lobato e Lane Viana Krejcova. Segundo os pesquisadores, cerca de 60% dos idosos entrevistados relataram utilizar algum tipo de inseticida ao menos uma vez por semana.

A pesquisa revelou preocupação especial com o uso de produtos sem registro sanitário ou com origem veterinária, empregados indevidamente para combater mosquitos, formigas, baratas e cupins. Entre eles estão carrapaticidas à base de cipermetrina, formulados para uso em bovinos, mas frequentemente aplicados em residências e quintais.
De acordo com a equipe, o uso inadequado desses produtos representa risco não apenas pela exposição direta das pessoas, mas também pela contaminação ambiental. Em áreas ribeirinhas, onde muitas famílias dependem de poços e vivem próximas a rios, o descarte inadequado pode levar à infiltração de substâncias químicas no lençol freático.

Os especialistas fazem uma distinção importante entre os inseticidas domésticos regulamentados e os produtos utilizados de forma irregular. Inseticidas registrados e utilizados conforme as orientações apresentam menor risco, pois possuem concentrações reduzidas de substâncias tóxicas e tendem a ser degradados mais rapidamente no ambiente.
Além da investigação sobre fatores de risco, o estudo também permitiu estimar a prevalência da doença de Parkinson nas ilhas pesquisadas. O índice encontrado foi de 1,63%, o que significa que, a cada 100 pessoas com mais de 60 anos, aproximadamente duas convivem com a doença.
Para os pesquisadores, o resultado confirma que o Parkinson está longe de ser uma enfermidade rara, especialmente diante do envelhecimento da população brasileira. Eles defendem que ações educativas voltadas ao uso seguro de produtos químicos.
O relatório final da pesquisa deverá subsidiar futuras políticas públicas voltadas à prevenção da doença e à promoção da saúde em comunidades vulneráveis da Amazônia.








