Ministro do STF determinou que Procuradoria-Geral da República tenha mais 60 dias para concluir análise de dados bancários e materiais apreendidos em operação contra o parlamentar do PL

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decidiu conceder novo prazo de 60 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) conclua a análise de dados obtidos na investigação que apura supostos crimes envolvendo o deputado federal Vinícius Gurgel.
A decisão foi assinada no último dia 21 de maio de 2026, no âmbito do Inquérito 4.889, que tramita no STF sob relatoria de Moraes. O caso investiga supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionados a possíveis irregularidades em contratos de manutenção da BR-156, no Amapá.
Segundo os autos, a investigação foi aberta após manifestação da PGR apontando indícios de direcionamento de processo licitatório para contratação de serviços de manutenção da rodovia federal, além de suposta influência política na indicação de nomes para a Superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT/AP).
Moraes determina que investigação continue
Na nova decisão, Alexandre de Moraes acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República, que informou ainda estar analisando dados bancários transmitidos por instituições financeiras e também materiais obtidos em diligências policiais realizadas em fevereiro deste ano.
O ministro determinou que o processo permaneça aguardando manifestação da PGR por mais 60 dias. Após esse prazo, os autos deverão retornar ao órgão para nova manifestação em até 15 dias.
A manifestação da PGR destaca que ainda depende da “análise policial dos dados coletados a partir das medidas cautelares de busca e apreensão autorizadas contra o parlamentar Vinícius de Azevedo Gurgel, que foram deflagradas em 13.2.2026”.

Quebras de sigilo e análise financeira
O inquérito também envolve medidas de quebra de sigilo bancário e fiscal do parlamentar e de empresas ligadas ao caso. Em decisões anteriores, Moraes autorizou o afastamento do sigilo bancário do deputado e da empresa Você Telecomunicações Ltda., abrangendo movimentações financeiras entre 2015 e 2019.
Os dados passaram a ser enviados diretamente ao Sistema de Investigação de Movimentações Bancárias (Simba), utilizado pelo Ministério Público Federal em investigações financeiras. Bancos como Bradesco, Banco do Brasil e Dock Instituição de Pagamento informaram ao STF o cumprimento das determinações judiciais.
Entenda o caso
A investigação teve origem em informações prestadas no acordo de colaboração premiada. A partir disso, a Polícia Federal passou a apurar suposto esquema relacionado a contratos de manutenção da BR-156, uma das principais rodovias federais do Amapá.
O deputado Vinícius Gurgel foi ouvido pela Polícia Federal em fevereiro de 2022 e apresentou esclarecimentos nos autos por meio de sua defesa.
Apesar das novas diligências e da ampliação das investigações financeiras, até o momento não houve denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra o parlamentar no âmbito do inquérito.








