Na condição de deputado estadual e líder do governo, Furlan foi peça-chave na privatização da CEA e agora terá de enfrenta desgaste com alta nas contas de luz que pesa no bolso da população

O alto custo da energia elétrica no Amapá começa a ganhar peso no cenário político e pode se transformar em um dos principais obstáculos para a pré-candidatura do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), ao governo do estado.
Aliado histórico do ex-governador Waldez Góes, Furlan teve atuação direta no processo de privatização da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), ainda quando exercia mandato de deputado estadual e ocupava a liderança do governo na Assembleia Legislativa.
Na época, o parlamentar defendeu as vantagens do processo de desestatização, que acabou aprovado pelos deputados e abriu caminho para a venda da estatal.
Privatização e promessa de melhorias
A privatização da CEA foi conduzida com participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apoio dos ministérios de Minas e Energia e da Economia.
A empresa Equatorial Participações e Investimentos venceu o leilão, arrematando a companhia por valor simbólico de aproximadamente R$ 50 mil. Como contrapartida, assumiu o compromisso de realizar aporte imediato de cerca de R$ 400 milhões e investimentos estimados em R$ 500 milhões nos primeiros cinco anos
O discurso à época era de modernização do sistema elétrico, melhoria no serviço e equilíbrio tarifário.
Realidade pós-privatização
Na prática, porém, o que se consolidou ao longo dos anos seguintes foi uma escalada no valor da tarifa de energia, com reajustes sucessivos que passaram a impactar diretamente o orçamento das famílias amapaenses.
O tema ganhou ainda mais relevância após reportagens recentes mostrarem situações concretas enfrentadas pela população. Um dos casos divulgados pelo ConectAmapá relata a realidade de uma família de quatro pessoas, na zona sul de Macapá, com renda mensal de cerca de R$ 2 mil, que paga aproximadamente R$ 600 por mês apenas com energia elétrica.
Para especialistas, esse tipo de comprometimento da renda evidencia o peso da tarifa no custo de vida local, especialmente entre famílias de baixa renda.
Reflexo político
O aumento da tarifa também tem sido apontado nos bastidores como um dos fatores que contribuíram para o desgaste político do grupo que conduziu a privatização.
Exemplo disso é o desempenho do ex-governador Waldez Góes em pesquisas para o Senado. Diante do cenário desfavorável, Waldez anunciou a desistência da candidatura, permanecendo no cargo de ministro.
A leitura política é de que o tema da energia elétrica passou a influenciar diretamente a percepção do eleitorado.
Furlan no centro do debate

Nesse contexto, o nome de Antônio Furlan surge inevitavelmente associado ao processo de privatização da CEA. Como líder do governo à época, ele teve papel decisivo na articulação política que garantiu a aprovação do projeto na Assembleia Legislativa.
Agora, como pré-candidato ao governo, Furlan pode enfrentar questionamentos sobre os resultados práticos da medida, especialmente diante da percepção popular de que a promessa de melhoria no serviço não foi acompanhada de redução tarifária.
Tema deve dominar o debate eleitoral
Com a proximidade das eleições, a tendência é que o custo da energia elétrica se torne um dos principais temas da disputa no Amapá, tanto pelo impacto direto na vida da população quanto pela responsabilidade política de decisões passadas.
A depender de como o assunto será explorado no debate público, a tarifa de energia pode deixar de ser apenas um problema econômico para se consolidar como uma “pedra no caminho” de candidaturas diretamente associadas ao processo de privatização.
O que está em jogo
O debate sobre a energia elétrica no Amapá deixou de ser apenas técnico e passou a ocupar o centro da política estadual, com potencial de influenciar diretamente o resultado das próximas eleições.








