Turismo crescente provoca queda na pesca artesanal na Ilha do Combu, em Belém

Expansão de restaurantes, passeios e empreendimentos turísticos transformam a economia e reduzem espaço para atividade tradicional de pescadores ribeirinhos

A expansão do turismo na Ilha do Combu, área ribeirinha localizada a poucos minutos de barco do centro de Belém, tem transformado profundamente a dinâmica econômica da comunidade — e provocado a redução da pesca artesanal, atividade que por décadas sustentou famílias da região.

Conhecida pela floresta preservada, produção de açaí e paisagens às margens do rio Guamá, a ilha vive um novo momento impulsionado pelo aumento do fluxo de visitantes e pela criação de roteiros turísticos. Iniciativas como a chamada “Rota Combu” buscam ampliar a permanência de turistas e fortalecer experiências gastronômicas, culturais e ambientais no território.

Com isso, restaurantes, chalés, trilhas ecológicas e passeios fluviais passaram a ganhar espaço na economia local. O turismo comunitário, que antes era incipiente, tornou-se uma alternativa de renda cada vez mais comum entre os moradores.

Mudança no modo de vida

Historicamente, a base econômica da ilha era formada pela pesca artesanal e pela coleta de açaí. Pequenas embarcações e redes simples garantiam o sustento de várias famílias ribeirinhas. No entanto, com a valorização turística da área, muitos moradores passaram a investir em atividades ligadas ao atendimento de visitantes, como restaurantes, hospedagem, venda de artesanato e experiências culturais.

Esse processo tem provocado uma mudança significativa no modo de vida tradicional. Em alguns casos, pescadores deixaram a atividade para trabalhar no setor de turismo, enquanto outros relatam diminuição no tempo e no espaço disponível para a pesca devido ao aumento da circulação de embarcações e ao uso das áreas ribeirinhas por empreendimentos turísticos.

A transformação econômica é visível: a ilha, que antes dependia quase exclusivamente da pesca e do açaí, hoje abriga uma rede crescente de restaurantes e experiências gastronômicas que atraem visitantes interessados na culinária amazônica e no contato com a floresta.

Desafio: equilibrar turismo e tradição

Especialistas e lideranças locais defendem que o crescimento do turismo seja acompanhado de planejamento e políticas públicas que garantam a preservação da cultura ribeirinha e das atividades tradicionais.

Moradores também apontam a necessidade de infraestrutura básica e de regras claras para ordenar o turismo na região, evitando impactos negativos sobre a pesca e sobre o modo de vida das comunidades que historicamente ocupam a ilha.

Enquanto o turismo segue em expansão — impulsionado inclusive pela visibilidade internacional da Amazônia e pela realização da COP30 em Belém — pescadores e ribeirinhos buscam formas de conciliar as novas oportunidades econômicas com a manutenção de uma das atividades mais antigas da região: a pesca artesanal

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