Comunidade tradicional de Ferreira Gomes relata perdas dramáticas de moradias, plantações e áreas de pesca após abertura de comportas no Rio Araguari

Moradores do Quilombo Igarapé do Palha, no município de Ferreira Gomes, denunciaram uma grave inundação que teria sido provocada pela operação integrada de hidrelétricas instaladas no Rio Araguari, no interior do Amapá. O caso mobilizou a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), que classificou a situação como uma violação alarmante de direitos das comunidades tradicionais.
Segundo a denúncia apresentada pela entidade, a cheia destruiu casas, áreas de cultivo, criações de animais e comprometeu atividades essenciais para a sobrevivência das famílias quilombolas, como a pesca artesanal e a agricultura familiar. O episódio também teria agravado o cenário de insegurança alimentar na comunidade.

A denúncia foi encaminhada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, além dos ministérios da Igualdade Racial e dos Povos Indígenas. A CONAQ cobra providências urgentes, incluindo vistorias independentes no território atingido e auditorias rigorosas nos planos de manejo das usinas.
De acordo com a Associação Quilombola do Igarapé da Palha (Auipa), a inundação ocorreu após ações operacionais das usinas Ferreira Gomes, Cachoeira Caldeirão e Coaracy Nunes. A coordenação nacional afirma que a abertura das comportas ocorreu sem plano de contingência e sem consulta livre, prévia e informada às famílias quilombolas afetadas.
Em nota, a CONAQ também defendeu a responsabilização administrativa das concessionárias pelos impactos ambientais e sociais causados à comunidade tradicional. Para a entidade, a preservação dos territórios quilombolas é indispensável para garantir direitos humanos, proteção ambiental e soberania alimentar na Amazônia.
O episódio reacende o debate sobre os impactos das grandes obras de infraestrutura em territórios tradicionais da região amazônica e aumenta a pressão por medidas de proteção às populações historicamente vulneráveis do Amapá.








